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Fuck Andor- registros fotográficos

Trabalho realizado em 19 de setembro de 2010, Curitiba, Brasil.

 

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Fuck-Andor- exposição fotográfica

O fotógrafo curitibano Gus Benke reuniu suas melhores imagens para realizar a exposição Fuck Andor, que estará no La Rauxa Café i Bistrot a partir do dia 4 de outubro.

São 20 imagens que mostram o “deslocamento do Fusca”, um registro fotográfico da ação performática do coletivo Interlux Arte Livre.

Fuck-Andor

A partir do convite feito pelo coletivo interluxartelivre, foi formado um grupo de pessoas que realizaram a performance “Fuck-Andor”, dentre elas pessoas designidas a carregar o carro, ciclistas batedores e uma equipe de fotógrafos e video makers. No dia 19 de setembro, a carcaça do Fusca foi transportada em um suporte braçal saindo do estacionamento do restaurante Jacobina no Alto da XV, ocupando as ruas até o destino final – os arredores do bicicletário livre no Centro Cívico de Curitiba, onde foi enterrado.

curiosamente, três dias depois, uma ação muito similar foi realizada em Guadalajara, no México

http://www.youtube.com/watch?v=P7cj3eAOwWw

O Estado da Arte

O coletivo interluxartelivre apresenta seus trabalhos na exposição O Estado da Arte, 11 de setembro, no Museu Oscar Niemeyer, Curitiba.

http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&id=1045502&tit=Fragmentos-para-pensar-a-arte-paranaense

Estado dá arte? Breves reflexões sobre o “contemporâneo”

Quais as raízes e os eventuais desdobramentos e especificidades do que ainda se considera “contemporâneo” no campo das artes visuais? Como fixar as balizas históricas de um processo que não apenas nos envolve, em sua proximidade epidérmica, como inclusive nos projeta, pela força de sua diversidade, para um futuro incerto e fugidio? E sobretudo: como compreender suas principais linhas de força, para além das grandes certezas modernas, sem considerar as inevitáveis interações entre o global e o local, entre o centro e a periferia, entre os contatos e refrações, enfim, de uma ideia de “cultura” que se quer – pretensa e simultaneamente – internacional, nacional e regional? Partindo dessas questões, e salientando sobretudo as relações entre arte, contexto e contemporaneidade, a exposição Estado da arte propõe uma leitura possível sobre a produção artística realizada durante as últimas quatro décadas no Estado do Paraná. Para dar cabo dessa leitura, dividimos a exposição em duas salas complementares: primeiro, com curadoria de Maria José Justino, a sala Poéticas Transitivas, disposta a refletir sobre algumas das eventuais matrizes históricas da visualidade contemporânea no Estado, e depois, com curadoria de Artur Freitas, a sala Expresso 2000, destinada sobretudo a mapear a produção artística realizada no Paraná ao longo dos anos 2000.

Como ponto de partida geral dessa empreitada, fixamos o ano de 1970. Trata-se, é claro, de uma data caprichosa, mas que no contexto desta exposição anuncia o início de uma década aberta a experimentações poéticas sem precedentes, ao menos no contexto paranaense. É o momento inicial dos irreverentes Encontros de Arte Moderna, que no começo dos anos 1970, em plena repressão militar, abriram caminho para as primeiras ações performáticas e intervenções urbanas do Estado. É o momento, igualmente, dos Objetos Caipiras de João Osório, das primeiras instalações de Olney Negrão e mesmo das diversas situações experimentais propostas por artistas como Lauro Andrade, Rettamozo ou Sérgio Moura. Na década seguinte, com o processo lento e paulatino de redemocratização do país, a arte no Paraná apresenta ao menos duas vertentes: de um lado, na contrapartida do conceitualismo dos anos 1970, a reafirmação dos chamados “suportes tradicionais” (como a pintura neoexpressionista da “geração 80” ou a gravura informalista produzida no Solar do Barão, em Curitiba); de outro, a ascensão dos primeiros grupos de artistas (que ainda chamavam-se “grupos”, e não “coletivos”), com destaque para o Bicicleta, o Moto-contínuo e o Sensibilizar.

Na sequência dos acontecimentos, durante os anos 1990 e 2000, a pluralidade de formas, temas e meios da arte contemporânea acusa a diversidade mesma de nossa sociedade, cuja aceleração dos pressupostos modernos implica na generalização do individualismo hedonista, no avanço da razão instrumental, no relativismo dos valores absolutos e na consequente desconfiança diante de toda narrativa universal, aí incluída a história da arte e, particularmente, a história das vanguardas. Imersos nessa chave hipermoderna, assistimos a atualização de expedientes que já frequentaram o coração de nossa modernidade estética. Do eterno retorno da pintura às intervenções no espaço expositivo, da arte urbana aos dispositivos de registro mais usuais como a fotografia e o vídeo, do corpo como obra às suas atuais derivações relacionais, temos na produção artística recente do Paraná um laboratório vivo – a ainda pouco divulgado – de algumas das principais questões estéticas de nosso tempo.

Artur Freitas e Maria José Justino

curadores

NOTA

A exposição, intitulada “Estado da arte: 40 anos de arte contemporânea no Paraná – 1970-2010“, é uma espécie de mapeamento da produção artística contemporânea realizada no Paraná durante as últimas quatro décadas. Esse mapeamento, claro, não tem a pretensão de esgotar o assunto, mas sim de sugerir caminhos para a interpretação da produção artística recente em nosso Estado, confrontando-a com algumas das principais questões poéticas da contemporaneidade. Trata-se, em síntese, de uma leitura possível sobre o assunto, e em hipótese nenhuma de uma leitura definitiva, até porque, em função do formato da exposição, muitos artistas importantes acabaram ficando de fora. Mesmo assim, é uma exposição inédita no MON. No total, teremos cerca de 150 obras de 80 artistas, o que não deixa de ser um recorte bastante amplo da produção artística paranaense. Embora predominem artistas de Curitiba, existem vários artistas que trabalharam ou ainda trabalham em outras cidades do Estado, como Maria Cheung, Letícia Marquez, Luiz Henrique Schwanke ou Francisco Faria. Em termos estruturais, a exposição será dividida em duas salas: a sala “Poéticas Transitivas”, com curadoria da crítica de arte Maria José Justino, e a sala “Expresso 2000”, com curadoria minha. A primeira sala terá um enfoque mais histórico e abordará artistas que começaram a produzir entre os anos 1970 e os 1990, embora alguns tenham começado antes e boa parte deles ainda continue produzindo até os dias de hoje. A sala “Expresso 2000”, por sua vez, abordará a produção mais atual, concentrando-se nas obras realizadas, justamente, durante os anos 2000. No caso da sala “Expresso 2000”, algumas obras foram realizadas especialmente para a exposição. É o caso de artistas como Cleverson Oliveira, Cleverson Salvaro, coletivo Interlux Arte Livre, Joana Corona, Rimon Guimarães e Rodrigo Dulcio, que prepararam intervenções realizadas diretamente no espaço expositivo. No caso da sala “Poéticas Transitivas”, parte considerável das obras é oriunda de acervos públicos como o MON, o MAC, o MUMA e o Museu da Gravura, ao contrário do que ocorre com a sala “Expresso 2000”, toda ela montada com obras emprestadas de acervos particulares.

A exposição contará com um catálogo. Nesta publicação, o leitor terá em mãos textos dos dois curadores, e mais um amplo registro fotográfico das obras da exposição. As obras serão fotografadas durante a semana de montagem, para haver registro das obras que são intervenções no espaço. Ainda sem data marcada, o lançamento do catálogo está previsto para ocorrer cerca de 40 dias depois da abertura. Na ocasião do lançamento, haverá uma palestra aberta com os dois curadores da exposição. A exposição ficará em cartaz até dia 24 de abril de 2011, estando aberta à visitação de terça a domingo, das 10 às 18 horas, no Museu Oscar Niemeyer.


Artur
Freitas

Panorâmicas dos trabalhos IAL no Museu Oscar Niemeyer

Pacto de Sangue

porque só quem escreve com sangue sabe que o sangue é espírito

Caros candidatos, ávidos por representar os anseios do povo, as
demandas pelo bem estar crescente, as ilusões do progresso e todos os
imperativos da felicidade, estão todos vós convidados a afirmarem vossas
piedosas intenções através de um gesto simbólico: um pacto de sangue com o
momento presente e tudo o que nele está inserido. Sangue porque as palavras
não pertencem a ninguém, os nomes são transitórios, os cargos
impermanentes.

Todos os que desejam ser presidente, governadores, senadores,
deputados, vices e suplentes, podem firmar este nobre compromisso nos dias
02 e 03 de setembro (das 10hs às 18hs)  no Bicicletário Livre do Centro Cívico,
em frente ao Palácio das Araucárias.

A lista dos que assumirem a pureza de suas intenções será divulgada
publicamente e o livro sagrado, lavrado com sangue, seguirá para posteridade.

Coletivo Interlux Arte Livre (IAL)
Declaração sanguínea de compromisso com a verdade, a transparência, os bons modos, a ousadia do pensamento, a pátria livre, a pureza dos reservatórios aquíferos, a profundidade das matas nativas, a preservação dos recursos presentes para as gerações futuras, a expansão da cultura, da filosofia e da arte.

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nota em blog:

http://www3.rpc.com.br/portal/gazetadopovo/blog/caixazero/?id=1035457

Grade Sobre Grade

V Bienal Vento Sul

Para a V Bienal Vento Sul o coletivo Interluxartelivre propôs o trabalho Grade Sobre Grade, dividido em três momentos: uma escultura pública localizada em frente ao Passeio Público, uma instalação no Memorial de Curitiba e uma série de colagens de um ponto vermelho em diversos lugares da cidade de Curitiba. A exposição inaugurou em agosto e permaneceu até início de outubro de 2009.

Paralelamente também aconteceu a ação performática Música pra Sair da Bolha, em decorrência do mês da mobilidade, evento que acontece em Setembro, idealizado  e realizado pelo grupo de forma independente. Bairro do Cabral, em Curitiba, 2009.

Links para matérias em jornais:

Folha de São Paulo www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u611217.shtml
Jornal do Brasil jbonline.terra.com.br/leiajb/2009/08/11/caderno_b/a_morte…
Gazeta do Povo portal.rpc.com.br/gazetadopovo/cadernog/conteudo.phtml?tl…
Estadão www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090815/not_imp419079,0…

Escultura Pública localizada em frente ao Passeio Público, 2,80m X 3,70m X 6,80m, 2009

Escultura: 2,80m X 1,80m X 1,20m, 2009. Papel serigrafado: 40 cm de diâmetro

Placa de metal gravado: 40 cm de diâmetro

Intervenção urbana através de colagens, papel serigrafado, 40cm de diâmetro

Série de ações performáticas, setembro de 2009

5ª. Bienal VentoSul – Curitiba, PR.

Adiantando-se em alguns meses com relação à Bienal do Mercosul, realiza-se em Curitiba um evento internacional: a 5ª. Bienal Latino-Americana de Artes Visuais – Vento Sul, durante os meses de agosto a outubro de 2009.

Com a curadoria experiente de Leonor Amarante e Tício Escobar, participam mais de 100 artistas de 29 países e dos cinco continentes, deixando assim de ser unicamente Latino-Americana para ser Internacional, e ocupando os espaços museológicos oficiais ou invadindo a cidade com instalações, performances e interferências nos parques, praças e ruas.

O tema escolhido para esta edição foi “Água Grande: os mapas alterados”, numa clara referência ao Rio Iguaçu, que nasce nas proximidades de Curitiba e atravessa toda a extensão do Estado do Paraná no sentido Leste/Oeste, indo desembocar nas famosas Cataratas do Iguaçu. Vento Sul é o vento gelado que sopra do Sul em direção ao Norte do Brasil e que por vezes cria a imagem de paisagens européia que são características dos três Estados sulinos.

A intenção é debater as relações culturais entre as diferentes partes do planeta: o Norte e o Sul, o centro e a periferia, o frio dos pólos e o calor dos trópicos, do Primeiro ao Terceiro Mundo. Confrontar a produção artística que se desenvolve dentro e fora dos chamados grandes eixos da arte nacional e internacional e a produção local, unir grandes artistas já consagrados de todas as partes do planeta. Ao lado de uma obra de Bruce Nauman ou de Marina Abramovic, por exemplo, encontramos a de jovens artistas como Juliana Burigo, de Curitiba, ou Rodrigo Araújo, de São Paulo.

Rodrigo Araújo, por exemplo, interfere poeticamente no espaço urbano, no local onde fica o “flanelinha” ou o “homem-cartaz”, suas bandeiras laranjas nos cruzamentos das grandes vias urbanas nada pedem, nada vendem, a não ser fazer refletir sobre a experiência daquele momento.

Carmela Gross, no Memorial de Curitiba, se apresenta com a “Obra em processo” e que, ao anoitecer, clama pela “Aurora”. O japonês Takafumi Hara preencheu as janelas vazias de um Centro Comercial com cartazes de um turista tentando conhecer a história da cidade e de seus habitantes. Yukihiro Taguchi, acompanhou a demolição de uma pequena casa em madeira, tradicional da região, e a remontou como abrigo ou tenda no pátio interno do Solar do Barão. Nos faz lembrar o trabalho de Jean-Pierre Raynaud, em 1993, que após sucessivas transformações impostas à sua própria casa durante 23 anos, a demoliu integralmente transformando-a numa instalação com mil baldes metálicos que continham seus detritos. Enquanto Taguchi comenta sobre o reaproveitamento e a reciclagem de material e a sua possível transformação artística, Raynaud falava das infinitas metamorfoses da arte como pensava Baudelaire.

A equação da água e o mapa, a carta geográfica, colocam a questão ecológica associada à política e a economia. A água é instável, não tem forma definida, ocupa o espaço que lhe deixam. Assim agiu, na minha opinião, o grupo “Interlux artelivre”, com um dos trabalhos que melhor discute a intenção do evento, o de falar sobre mudanças, onde nada é fixo, onde tudo é flutuante.

O grupo existe desde 2002 e é formado por artistas plásticos, designers, filósofos, fotógrafos, músicos e sociólogos (são eles: André Mendes, Bruno Machado, Cláudio Celestino, Fernando Franciosi, Fernando Rosenbaum, Goura Nataraj ou Jorge Brand, Jaime Vasconcelos, Juan Parada, Rimon Guimarães e Tié Passos), que já participaram da edição anterior da 4ª. Bienal VentoSul em 2005. Naquele momento eles pareciam estar pouco à vontade por terem sido confinados no espaço restrito de um museu, sua arte era na rua, sempre deram preferência ao grande espaço público. Agora, nesta 5ª. Bienal, encontraram seu objetivo, o de compreender a cidade toda como espaço expositivo, incluindo o espaço interno dos museus. A intenção, segundo eles, era procurar uma história afetiva com a cidade e conectar os vários espaços. E é a rua este espaço de conexão, de vida e de discussão.

Vivemos engaiolados, presos a sistemas que muitas vezes não podemos fugir ou não nos deixam sair. Este tema não é novo, vimos o trabalho de Jane Alexander na 27ª. Bienal de São Paulo colocando uma dupla cerca de arame farpado com segurança armada para possibilitar que o gramado crescesse. Na última Bienal de Veneza, o artista francês Claude Lévêque colocou uma monumental instalação que levava o visitante a sentir-se numa prisão e cujas saídas não lhe inspiravam confiança, ele a chamou de Le Grand Soir (A Grande Noite).

Neste trabalho denominado “Grade sobre grade”, os jovens da Interlux, colocaram um círculo vermelho preso dentro de uma grade de proteção, com arame farpado no topo, dentro da sala de exposição do Memorial de Curitiba. Mas este mesmo círculo vermelho pode ser encontrado em diversos outros lugares da cidade, visível sempre nos pontos de maior circulação de veículos, lugares de conexão, e que vai terminar em uma instalação diante do Passeio Público de Curitiba, na forma de uma jaula/labirinto, prisão e proteção ao mesmo tempo. O Passeio Público foi, há tempos atrás, um jardim botânico e zoológico, local para o lazer familiar. Ali os animais viviam entre grades para segurança dos visitantes, hoje é o parque que é todo gradeado para proteger os novos visitantes. Este trabalho reflete sobre a memória destes sujeitos e recupera parte da história da cidade, mas é também reflexão sobre a posição da arte e do artista contemporâneo. As dúvidas e indecisões de entrar no jogo, no jogo que quem está dentro não quer sair e o que está fora nem sempre consegue entrar. Entre o espaço de lazer do parque ao espaço da reflexão do museu o caminho foi feito por um percurso afetivo de descoberta da cidade através dos círculos vermelhos (jocosamente apelidado de “sarampo social”).

Mas os museus de hoje não tem se transformado muitas vezes em parques de diversões? As ruas e as praças não são os melhores espaços para o diálogo entre a arte e o grande público? O Interlux sempre quis provocação e questionamento, seus métodos sempre foram o da ocupação, o das festas ou das ações, do contato direto com o público através dos grafites, das pichações ou dos “lambe-lambe”.

O segundo evento que realizaram: “Música para sair da bolha”, é uma ação performática musical, ela é “a celebração da rua como espaço de convivência, de troca, de vida”, afirmam eles. “É a crítica do trânsito feroz que destrói toda a sociabilidade, cria espaços de isolamento e é causa direta de inúmeras mortes e atropelamentos”. Ele acontece toda última sexta-feira do mês, em uma esquina movimentada da cidade, na hora mais tensa do trânsito: é um convite para sair da bolha, sair do carro e festejar com eles “sem cara feia”.

As grandes exposições, as grandes bienais, normalmente estão afastadas do grande público de cidades periféricas e elas são importantes para promoverem as trocas necessárias tanto para os artistas quanto para a formação dos novos espectadores. O que notamos aqui foi o esforço dos artistas locais para apresentarem trabalhos novos, salvo exceções, a grande maioria dos ícones da arte internacional presentes tem trabalhos mais antigos, já apresentados anteriormente, mesmo em exposições no Brasil. Mas vale o esforço de podermos ter dentro de um museu da cidade obras de Bruce Nauman, Gary Hill, Tony Cragg ou Marina Abramovic, ao lado de artistas consagrados no Brasil ou mesmo de jovens artistas emergentes.

A crítica fica por conta desta necessidade temática da exposição, por vezes soa como trabalho acadêmico e, entre as obras mais fracas da exposição, estão algumas daquelas que quiseram seguir fielmente a orientação da “Água Grande”. A arte contemporânea, por ser contemporânea, está fazendo seu discurso através das suas metáforas, não tem necessidade da literalidade neste sentido. Mas Curitiba é uma cidade úmida por excelência e é sua umidade que vai produzir as grandes águas do Iguaçu, o confronto entre as obras e a comparação entre o que se faz aqui e o lá fora sempre produzem resultados satisfatórios, para muitos será o momento de olhar diferentemente para a arte contemporânea.

Lamentavelmente faltou uma coordenação central para administrar todos os espaços e para dar uma certa unidade reduzindo as dificuldades de encontrar as obras, de encontrar as etiquetas de alguns trabalhos, da manutenção dos equipamentos para que tudo estivesse funcionando nos horários previstos.

Fernando A. F. Bini (ABCA/Paraná)

Agosto de 2009

Caximba

Em conjunto orgânico com o artista Daniel Chaves, este curta metragem desvenda este fantástico ponto turístico desconhecido de nossa capital, distante 40 quilômetros do centro, para onde nossos resíduos viajam todos os dias.

produzido pelo coletivo interluxartelivre e editado pelo multitalentoso dach.

Macranthropos

O grande homem

Através do convite proposto pela galeria de arte Ybakatu e pelo artista norteamericano Brandon LaBelle,  o coletivo interluxartelivre idealizou para a exposição “Carta ao Prefeito” um trabalho tridimensional e um vídeo performance. Espaço de Arte Ybakatu, maio 2009, Curitiba PR
Matéria em jornal:
Escultura feita em vidro, óleo, água e terra – 0,85 x 0,50 x 0,60m, 2009.

Insatisfeitos

O “anti-espetáculo”

Ação de maior caráter performático do coletivo, com hora para começar e terminar, cujo tema proposto foi a leitura das décadas de 50 e 60 por onde o grupo estabeleceu relações com o surgimento da contra-cultura revisitando movimentos e grupos como: Situacionistas, Cobra, os Beats, Provos, Fluxus, Hippies, etc . No pátio de entrada do SESC da Esquina diferentes e simultâneas situações convidavam a participação do diverso público que deslocava-se na hora do rush pelo local. Na Kombi podia-se meditar ao lado de flores e musica mântrica ao vivo; o megafone ligado estava disponível para recados e leituras num púlpito improvisado; na sala azul os instrumentos musicais encontravam-se plugados e acessíveis para experimentação; a lama para pisar e o andaime para uma arriscada subida com vista panorâmica. A divulgaçãodo anti-espetáculo se deu através de cartazes concebidos pelos integrantes que reutilizaram o lixo gráfico da instituição. Sesc da Esquina, Outubro 2008, Curitiba PR.
Cartaz do evento produzido com o lixo gráfico da instituição.

Ocupação

Galerias subterrâneas – Cabral

“Numa fase inicial da ocupação, entrevistamos e registramos com fotos as pessoas que circulam e usam o terminal freqüentemente. De forma processual, nas semanas seguintes, começamos a compor nosso trabalho, plotando as imagens, dando tratamento digital e em seguida colando-as na galeriasubterrânea.” O coletivo interluxartelivre propõe a ocupação da galeria subterrânea do terminal de ônibus do Cabral, espaço este utilizado como corredor para usuários de ônibus transitarem de um lado ao outro do terminal. Dentro da dinâmica de trabalho do grupo o foco principal é a re-significaçãodo espaço, a re-interpretação dos símbolos cotidianos, e a criação de ambientes que provoquem um estranhamento por parte do transeunte, que passa por ali constantemente, cujo olhar está acostumando com a falta de estímulos do local. De certa forma, a ação pode ser classificada como uma pedagogia do olhar. Atualmente o paradigma urbano em que vivemos não estimula os cidadãos a se observarem como membros ativos e criativos da sociedade. Toda a responsabilidade pela cidade, pelo trânsito, pela educação e por todos os fatores que constituem a vida comunitária, é transferida às instituições, governamentais, financeiras e ideológicas. O sujeito, mais e mais, é colocado numa postura passiva, onde tudo o que faz é disciplinado e controlado. Suas próprias ações na cidade são observadas e gravadas pelas autoridades. Toda interferência visual que acontece no cenário urbano é realizada de cima para baixo. O homem não pode mais intervir no meio em que vive. Queremos questionar esta dinâmica.Terminal de Ônibus do Cabral, maio 2008, Curitiba PR.
Matéria em jornal:
trabalho realizado em maio de 2008, Curitiba, Brasil
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